A crise mundial e os condomínios
Enviado em 11 de Janeiro de 2009
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Para os síndicos, o ano de 2009 inicia com uma pergunta que não quer calar: posso planejar novos investimentos ou não? É uma resposta difícil e requer alguns cuidados.
Vários profissionais do meio econômico comparam a crise atual com a de 1929. No entanto, ninguém detalha com clareza o desdobramento. Talvez para não criar mais temores, ou ainda, porque desconhecem os efeitos, uma vez que a economia mundial é sistêmica, resultante da globalização.
Os meios de comunicações diariamente divulgam que vários governantes de todos os blocos econômicos, buscam soluções para equilibrar o sistema financeiro. Isto levanta um sinal mais que laranja, no sentido de planejar com cautela as finanças.
Afinal, o que esta crise tem a ver com os condomínios? Categoricamente podemos afirmar: tudo. Eventual onda de desemprego, ou ainda, fechamento de empresas, assim com nas demais camadas da sociedade, atingem diretamente a saúde financeira dos condomínios, reflexo do aumento nos índices de inadimplência.
Desta forma, é salutar que o Síndico e a Administradora comecem o ano de “olhos nas despesas”, principalmente quando da elaboração da Previsão Orçamentária, quase sempre discutida no período de janeiro a março de cada ano.
Manter apenas a correção das despesas ordinárias - como a folha de pagamento, água, energia elétrica, materiais diversos, manutenção e despesas administrativas - é o caminho. Eventual despesa extraordinária imprescindível deverá ser estudada com muito cuidado, sendo indicado envolver os demais condôminos.
Planejar investimentos visando melhorias deverá ser o último item do orçamento a ser deliberado e, o ideal, seria aguardar pelo menos o primeiro semestre de 2009. Nesta crise, sem uma clara definição do seu alcance, qualquer medida que aumente o risco quanto à saúde financeira dos condomínios, certamente vai causar dor de cabeça aos síndicos.
Basta ver que, nos EUA, a economia mais forte do planeta, há uma forte expectativa por parte da população. Isto porque, embora com um presidente recém eleito, já é noticia que parte da equipe do governo anterior continua, causando preocupação aos próprios americanos, uma vez que estes mesmos dirigentes não foram capazes de prever ou mesmo conter a propagada crise.
As demais economias, consideradas fortes, sejam no bloco europeu, ou asiático, igualmente estão tomando medidas de precaução. No Brasil, quando da cerimônia de posse dos prefeitos eleitos, particularmente em São Paulo, os discursos não foram diferentes, apontando na mesma direção.
Com todos estes sinais, nada mais saudável que a nossa “microeconomia condominial” siga o dito popular: devagar com o andor que o santo é de barro.
Fonte: Secovi-SP - artigo de Juraci Baena Garcia