Síndicos usam a consciência e a criatividade para economizar nos condomínios
Enviado em 22 de Janeiro de 2009
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Certamente, a repercussão mundial da crise americana fez com que muitos brasileiros repensassem seus gastos. Nada mais natural, cautela é sempre bem-vinda em situações de expectativa.
Os síndicos, moradores que representam a coletividade, por sua vez, também ligaram o alerta e estão cada vez mais atentos aos gastos dos condomínios.
Não tem nada a ver com a comentada “crise”. Alfredo Gonçalves administra os gastos de seu condomínio com maestria. Há cinco anos, ele assumiu o cargo de síndico do edifício José de Anchieta, em Botafogo. Desde então, não há cota extra e nem aumento no valor do condomínio. É com orgulho que ele conta o trabalho minucioso que vem desenvolvendo com sua equipe (formada ainda pelo subsíndico e os conselheiros). Medidas ecológicas, de diminuição do consumo de água e energia, são as responsáveis pela economia. “O valor do condomínio aqui não chega a R$ 400. Há edifícios similares no bairro com taxa de cerca de R$ 800. Síndicos da vizinhança já me procuraram para tentar entender como conseguimos esses gastos tão baixos”, afirma.
A preocupação é compreensível. Principalmente com a chegada do verão, o valor nas contas de água e luz costuma subir muito nos condomínios. A boa notícia é que há uma série de medidas que podem ser adotadas que proporcionam uma grande redução no consumo. Mas Alfredo Gonçalves sabe melhor do que ninguém: é preciso dedicação e tempo para atingir os objetivos.
Assim que assumiu, Gonçalves se deparou com uma conta de luz de R$ 6 mil. A primeira área que atacou foi a iluminação dos quatro andares de garagem. Em vez de ter um funcionário para acender todas as lâmpadas de noite e apagá-las de manhã, um sensor de luminosidade fez com que esse processo fosse automático. Não há esquecimento ou andar mais vagaroso que cause desperdício. Assim que o céu começa a clarear, todas as lâmpadas são apagadas.
A outra medida precisou de cálculos. As lâmpadas de 40 watts foram substituídas por outras de 20 watts, colocadas em lugares estratégicos. “Fizemos um somatório de quantos watts tínhamos e de quantos precisávamos para iluminar os andares de garagem. Em cada andar eram usados cerca de 400 a 600 watts. Hoje, cada um usa em torno de 180 watts, com uma luminosidade excelente.” As medidas fizeram com que a conta de luz do condomínio fosse reduzida pela metade.
E o controle não parou por aí. Diariamente, os porteiros de cada turno checam ainda o consumo de água. Se for detectada alguma anormalidade, o funcionário da manutenção é acionado e vai em cada andar descobrir onde há vazamento. De três em três meses, esse mesmo funcionário inspeciona cada apartamento para analisar se há vazamentos nas descargas. O resultado é que o consumo de água se mantém inalterado por cinco anos.
Para economizar ainda mais, o síndico investiu numa bomba de água mais moderna. “Pesquisamos na internet e contatamos uma empresa que deixou uma bomba de teste por um mês no prédio. No final dos 30 dias, notamos que a economia tinha sido de mil reais. Isso porque ela enchia a caixa com mais rapidez”, explica.
No condomínio Marinas Beton, na Barra da Tijuca, a síndica Sandra Mariano também adota medidas para economizar no consumo de água. Na garagem, os carros não podem ser lavados com mangueira, e nos jardins, as plantas são regadas com regadores e os funcionários se concentram apenas nas flores, deixando a grama para a chuva. A água que serve aos apartamentos também é controlada. Como a cisterna é grande, às vezes a bomba é desligada por até dois dias para gerar economia. Tudo isso sem que falte abastecimento nas unidades.
Para economizar luz, Sandra instalou sensores de presença nos corredores e nas escadas. Nos jardins, um sensor de luminosidade faz com que as lâmpadas só acendam quando está escuro.
O mesmo fez o síndico Antônio Wanis, do edifício comercial Silva Ramos, no Centro. Todas as áreas comuns do edifício contam com sensores de presença. E os sensores acionam ainda as câmeras, instaladas nos corredores do prédio. Elas só começam a funcionar quando as luzes são acesas. Assim, não precisam ficar o tempo inteiro ligadas.
Paulo Feio, da empresa Portlarm, que faz a instalação de sensores de presença em edifícios e condomínios, explica que eles normalmente são usados em corredores, garagens, escadas de serviço e portarias. “Eles têm um raio de ação que varia de um a três metros e é possível regular o tempo que as lâmpadas permanecerão acesas. Numa portaria, por exemplo, o ideal é que uma ou duas luminárias fiquem ligadas e o resto do ambiente tenha iluminação controlada por sensores”, explica. O custo de instalação é de R$ 70 a R$ 80 para cada um.
Na ABC Telecom, a gerente comercial Aline Sartorio calcula que o uso de sensores de presença pode trazer uma economia de até 70% do custo de energia. A empresa faz ainda projetos de iluminação e trabalha com a instalação de sensores de fotocélula, que controlam o acendimento das lâmpadas de acordo com a luminosidade do ambiente.
Quando o assunto é economia na taxa do condomínio, os síndicos são unânimes: dedicação e atenção são essenciais. É preciso, primeiramente, analisar as contas do prédio para detectar onde estão os maiores gastos. Aí, é atacar essa área pensando em medidas e soluções para diminuir o consumo. Os resultados são logo sentidos no bolso dos moradores.
Fonte: Condomínio & Etc. - Por Renata Fernandes